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Vagas de Soldador no Brasil: TIG, Qualificação ASME, NRs e Como Passar no Teste de Solda

· 10 min de leitura
Soldador trabalhando com máscara de solda e equipamento de proteção

Soldador é uma das profissões em que o mercado brasileiro separa muito claramente quem tem papel de quem tem mão. Existe vaga de sobra em manutenção, estrutura metálica e serralheria — e existe uma segunda faixa, bem acima, em naval, offshore, óleo e gás e montagem industrial, onde o requisito não é “saber soldar”, é ser qualificado sob um código, numa posição específica, para um material específico.

A porta de entrada dessa segunda faixa quase sempre tem o mesmo nome nos anúncios: solda com argônio, ou seja, TIG. Este guia explica o que é a qualificação, por que o TIG concentra as vagas melhor pagas, quais Normas Regulamentadoras cada setor cobra e como montar um currículo que sobrevive à triagem de quem contrata soldador.

Os quatro processos e o que cada um diz sobre a vaga

Escrever “soldador” no currículo é quase não escrever nada. O recrutador precisa do processo, porque cada um pertence a um mundo diferente de obra, material e salário.

Quando o anúncio nomeia o processo, ele está descrevendo o setor, o material e a faixa salarial sem dizer.
ProcessoOnde é usado / materiais típicosQualificação normalmente exigida
TIG / GTAW (solda com argônio)Inox, alumínio, ligas de níquel, tubulação de processo, passe de raiz em tubo de aço carbono, indústria alimentícia e farmacêutica, naval e offshore.É o processo com mais exigência formal: ensaio sob EPS, quase sempre em 5G ou 6G, muitas vezes com purga de gás na raiz e avaliação por radiografia.
Eletrodo revestido / SMAWManutenção, campo, estrutura, reparo, tubulação de aço carbono, obra ao ar livre onde não há como proteger o arco do vento.Ainda muito pedido em obra e manutenção. Qualificação em posição vertical e sobrecabeça é o que separa o soldador de campo do soldador de bancada.
MIG/MAG / GMAWProdução seriada, serralheria, implemento rodoviário, indústria automotiva, funilaria pesada, estrutura leve.É onde há mais vaga e mais concorrência. Muitas contratações se resolvem só com teste prático interno, sem ensaio codificado.
Arame tubular / FCAWEstrutura metálica pesada, galpão, ponte, caldeiraria, montagem industrial, chapa grossa.Valorizado por produtividade em chapa grossa. Costuma vir combinado com qualificação AWS para estrutura.

Repare no padrão: o TIG aparece exatamente onde o erro é mais caro — inox que não pode ser contaminado, alumínio que não perdoa, tubulação que vai receber pressão e passar por radiografia. É por isso que “solda com argônio” virou sinônimo de vaga melhor: não é o gás que paga mais, é a consequência de uma solda ruim naquele serviço.

Por que o passe de raiz em TIG é tão pedido

Em tubulação de processo, é comum o procedimento combinar dois processos na mesma junta: raiz em TIG, enchimento e acabamento em eletrodo revestido ou arame tubular. A raiz é a parte que fica em contato com o fluido e é a que aparece na radiografia; o TIG dá controle fino de poça e permite uma raiz limpa, com ou sem cobre-junta. Quem sabe fazer raiz em TIG em tubo, na posição fixa, tem acesso a um conjunto de vagas que a maioria dos candidatos simplesmente não disputa.

Qualificação de soldador: EPS, RQPS e o seu registro

Essa é a parte que mais gera mal-entendido, então vale separar com cuidado os três documentos:

  • EPS — Especificação de Procedimento de Soldagem. É a receita escrita pela empresa: processo, material, faixa de espessura, consumível, gás, corrente, posição, pré e pós-aquecimento. Ela pertence ao fabricante ou à contratante, não a você.
  • RQPS — Registro de Qualificação de Procedimento de Soldagem. É a prova de que aquela receita, executada uma vez, produziu uma junta aprovada nos ensaios. Qualifica o procedimento.
  • Registro de qualificação do soldador. É o que qualifica você: prova que, seguindo aquela EPS, você produziu uma solda aprovada. É esse papel que a obra pede.

O código de referência muda conforme o setor. Caldeiraria, vaso de pressão e tubulação de processo trabalham tipicamente sob a ASME Seção IX. Estrutura metálica costuma seguir AWS D1.1 para aço carbono, com normas irmãs para alumínio e inox. Muita obra brasileira também usa a ABNT NBR ISO 9606, e o setor de óleo e gás acrescenta padrões próprios do contratante — em campo, é comum o anúncio citar a norma da operadora em vez do código internacional.

O que todos têm em comum são as variáveis essenciais. Seu registro não diz “soldador qualificado”, diz algo bem mais estreito: processo tal, na posição tal, naquele grupo de material, dentro de uma faixa de espessura, com aquele tipo de metal de adição, com ou sem cobre-junta. Sair dessas variáveis significa novo ensaio.

Duas regras que economizam muito tempo. Primeira: aprovação em 6G cobre as demais posições daquele processo nos códigos usuais — é por isso que vale investir nela em vez de colecionar ensaios fáceis. Segunda: a continuidade vale mais do que o papel. Pela ASME Seção IX, a qualificação caduca se você passar mais de seis meses sem usar aquele processo, e cabe à empresa manter o registro periódico. Peça esse registro enquanto estiver empregado; ele é seu histórico.

As NRs que aparecem na sua vaga — e quem paga o quê

Soldagem é quase sempre trabalho a quente, e trabalho a quente vem com liberação formal. Em vez de decorar a lista inteira, entenda o gatilho de cada norma: é ele que diz quando aquele treinamento vai ser cobrado de você.

Guarde os certificados com data, carga horária e identificação do emitente — auditoria de contratante confere isso item a item.
NormaQuando é exigidaQuem paga
NR-34Construção, reparação e desmonte naval e trabalho offshore. Traz o regime de trabalho a quente e a permissão de trabalho (PT) emitida antes de abrir o arco.Empregador (treinamento e EPI).
NR-18Obra de construção: canteiro, estrutura metálica, montagem em obra civil.Empregador.
NR-33Espaço confinado: tanque, vaso, caldeira, duto, casario e praça de máquinas. Exige permissão de entrada e trabalho, vigia e supervisor de entrada.Empregador.
NR-35Trabalho em altura, acima de dois metros com risco de queda: andaime, plataforma, estrutura, costado de embarcação.Empregador.
NR-10Serviços em instalações elétricas e proximidade. Cruza com a solda em manutenção industrial e em qualquer serviço perto de painel energizado.Empregador.
NR-06Sempre. Máscara de solda com grau de proteção adequado, luvas, mangote, avental, perneira, calçado e proteção respiratória quando o risco exigir.Empregador, gratuitamente e com reposição.
NR-07 e NR-15Exames admissional e periódicos dentro do PCMSO, e avaliação de agentes como fumos metálicos, radiação não ionizante, calor e ruído.Empregador. A insalubridade caracterizada gera adicional em grau mínimo, médio ou máximo.

Uma observação de campo: em obra grande, a integração da contratante é uma etapa à parte e não substitui a NR. Você vai fazer a integração mesmo com todos os treinamentos em dia, e vai refazê-la a cada mobilização. Programe-se para isso ao aceitar uma vaga em outra cidade — nos primeiros dias, você ainda não está soldando.

Saúde ocupacional: o que a profissão realmente cobra

O risco mais visível é a radiação ultravioleta do arco, que causa a ceratite conhecida como olho de solda e queima pele exposta. Máscara com grau de proteção adequado ao processo e à corrente, e proteção de quem está ao redor com biombo, resolvem essa parte.

O risco silencioso são os fumos metálicos. Soldar aço inoxidável pode gerar compostos de cromo hexavalente e níquel; soldar alumínio com TIG gera ozônio; consumíveis de aço carbono trazem manganês; galvanizado libera fumos de zinco. A defesa é ventilação local exaustora no ponto de geração, proteção respiratória compatível com o agente e exames periódicos — e é obrigação da empresa avaliar isso no programa de gerenciamento de riscos.

Some ainda ruído de esmerilhadeira, calor em espaço confinado e postura forçada em soldagem sobrecabeça. Nada disso inviabiliza a carreira; tudo isso define se você vai chegar aos cinquenta anos soldando ou não. Na entrevista, perguntar como é a exaustão no posto diz mais sobre a empresa do que qualquer discurso de segurança no mural.

Deixe as vagas de solda chegarem até você

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Seis setores, o mesmo título, rotinas diferentes

Naval e offshore

Estaleiro, reparo naval, módulo de plataforma. É onde a NR-34 manda, com permissão de trabalho para cada serviço a quente, vigia, e muita solda em espaço confinado e em altura no costado. Concentra as exigências mais duras de qualificação e também as melhores remunerações, com regime de embarque e escalas próprias no offshore.

Óleo e gás e montagem industrial

Tubulação de processo, vaso de pressão, caldeiraria, parada de manutenção em refinaria e planta química. Aqui o mundo é ASME e radiografia: o índice de reprovação da sua solda é acompanhado, e ele é o seu currículo real dentro da obra. As paradas de manutenção são o momento em que mais se contrata e também o mais competitivo, porque a janela é curta e ninguém quer ensinar ninguém no meio dela.

Estruturas metálicas e caldeiraria

Galpão, mezanino, ponte rolante, silo, tanque atmosférico. Predomina arame tubular e MIG/MAG, com AWS como referência. Parte do trabalho é em fábrica, parte em montagem no canteiro — e a diferença entre as duas é a NR-18, a NR-35 e o clima.

Metalmecânica e produção seriada

Implemento rodoviário, autopeças, máquina agrícola, móvel de aço. Ritmo de linha, dispositivo de fixação, meta por hora e frequentemente solda robotizada com o soldador atuando em preparação, acabamento e reparo. É a porta de entrada mais acessível da profissão e o lugar onde mais se aprende MIG/MAG com volume.

Manutenção industrial e serralheria

Eletrodo revestido e MIG, variedade enorme de serviço, pouca repetição, muita improvisação com segurança. É onde o soldador mais generalista se forma. Serralheria e esquadria pagam menos, mas ensinam leitura de desenho, medida e acabamento — três coisas que aparecem no teste prático de qualquer setor.

CLT, empreiteira ou PJ: leia o contrato antes do salário

Em obra, o mesmo serviço aparece em três formatos, e a diferença raramente está no valor anunciado:

  • CLT direto na contratante. É o mais estável: carteira assinada, FGTS, 13º, férias, adicionais de periculosidade e insalubridade quando caracterizados, e o piso da convenção coletiva da categoria.
  • CLT em empreiteira ou prestadora. Formato dominante em montagem e parada de manutenção. Os direitos são os mesmos, mas o contrato costuma ser por obra ou por prazo determinado, com mobilização e desmobilização. Confira em qual convenção coletiva você foi enquadrado: metalúrgicos e construção pesada têm pisos e cláusulas diferentes.
  • PJ ou diária. O número bruto parece maior porque tudo está embutido nele. Antes de comparar, desconte o que você deixa de receber: FGTS, 13º, férias com terço, adicionais, aviso prévio e a proteção do acidente de trabalho. E preste atenção ao essencial: se há pessoalidade, subordinação e habitualidade, o contrato de PJ não muda a natureza do que está acontecendo.

Sobre quanto se ganha, a resposta honesta é que não existe número nacional único. O piso vem da convenção coletiva do sindicato da sua base territorial e não pode ser inferior ao salário mínimo nacional vigente em 2026. Sobre ele entram periculosidade de 30% sobre o salário base quando caracterizada, insalubridade conforme a NR-15 e o laudo, adicional noturno, horas extras e, em obra, verbas de campo negociadas. Compare propostas somando esses itens — duas ofertas com o mesmo valor de base podem ter uma diferença enorme no fim do mês.

Como ler um anúncio de soldador

  • “Teste de solda” — a seleção termina na bancada ou no tubo, não na entrevista. Vá preparado para soldar no dia, com sua máscara, e pergunte antes qual processo, qual material e qual posição.
  • “6G” ou “5G” — é tubulação, e o teste é exigente. Se você só soldou chapa, essa vaga é um objetivo de médio prazo, não de hoje.
  • “Com certificação ASME” — a empresa espera registro de qualificação sob a Seção IX, e provavelmente vai requalificar você sob a EPS dela.
  • “TIG em inox” ou “passe de raiz em TIG” — processo, material e etapa da junta, tudo de uma vez. É a descrição mais informativa que um anúncio pode dar.
  • “NR-34 e NR-33 em dia” — naval ou tanque, com espaço confinado. Se você não tem, ainda pode se candidatar: a empresa é obrigada a treinar, mas quem já tem entra na frente na triagem.
  • “Disponibilidade para viagem” ou “mobilização” — obra fora da sua cidade, com alojamento e escala próprios. Pergunte sobre hospedagem, alimentação e folga de campo antes de aceitar.

O teste de solda: o que decide a contratação

Na maioria das seleções de soldador, a entrevista é só a triagem. A decisão acontece no teste prático, e é impressionante quantos candidatos bons são reprovados por motivos que nada têm a ver com a habilidade de soldar.

O roteiro costuma ser o mesmo: você recebe o corpo de prova já preparado ou precisa preparar o chanfro, solda seguindo uma EPS que a empresa entrega na hora, e o resultado vai para ensaio. Antes de abrir o arco, confirme três coisas com quem está aplicando: qual é o processo e o consumível previstos, qual a posição, e se há exigência de purga ou de cobre-junta na raiz. Perguntar isso não pega mal — pega mal soldar diferente do que a especificação manda.

Os erros que mais reprovam gente experiente são de preparação e de disciplina, não de mão: chanfro mal esmerilhado, falta de limpeza entre passes, parâmetro de corrente fora da faixa da EPS, e o clássico de usar a escova de aço carbono no inox, que contamina a junta e compromete a peça inteira. Leve seus próprios EPIs, principalmente a máscara com o grau de proteção que você já usa, e leve escova e lima próprias se puder: material emprestado no dia do teste é fonte garantida de problema.

Como a sua solda é avaliada

Vale entender o que acontece depois que você entrega a peça, porque é isso que determina o resultado:

  • Ensaio visual. É a primeira barreira e a que mais elimina. Mordedura, respingo, sobreposição, reforço excessivo, falta de preenchimento na cratera e desalinhamento reprovam antes de qualquer outro ensaio acontecer.
  • Líquido penetrante e partículas magnéticas. Detectam descontinuidade aberta para a superfície, como trinca e poro no acabamento. Aplicados em junta que não vai a ensaio volumétrico.
  • Radiografia e ultrassom. Enxergam o interior da junta: falta de fusão, falta de penetração, inclusão de escória, porosidade e mordedura de raiz. É aqui que se decide a qualificação em tubulação.
  • Dobramento e, em alguns códigos, macrografia. Ensaios mecânicos usados como alternativa ou complemento, conforme o código e a espessura.

Quem avalia é um inspetor de soldagem qualificado, e os ensaios não destrutivos são executados por profissionais com qualificação própria — no Brasil, é comum ver os níveis de certificação citados nos anúncios desse pessoal. Para você, soldador, a consequência prática é direta: em obra codificada a sua solda é medida por gente treinada para achar defeito, com equipamento, e o seu histórico de reprovação fica registrado. É por isso que o índice de reprovação em radiografia vale tanto num currículo — é o único indicador da profissão que não depende da sua própria narrativa.

O currículo que sobrevive aos primeiros cinco segundos

Quem contrata soldador quer responder a uma pergunta só: essa pessoa pode ser escalada nesta obra, nesta semana? Responda com números, no topo da página.

  • Processos que você domina, na ordem da sua força: TIG, eletrodo revestido, MIG/MAG, arame tubular.
  • Posições em que já foi aprovado, com a nomenclatura do código: 3G, 4G, 5G, 6G, e filete quando for o caso.
  • Materiais: aço carbono, inox das séries usuais, alumínio, liga de níquel. Diga também o que já soldou com frequência e o que fez apenas eventualmente — quem contrata percebe a diferença no teste.
  • Faixa de espessura e diâmetro de tubo com que trabalha. É a informação que mais falta nos currículos e a que mais ajuda na triagem.
  • Código e registros: ASME Seção IX, AWS, ABNT NBR ISO 9606, com data. Se tiver registro de continuidade, cite.
  • Índice de reprovação em radiografia, se você acompanha. É o indicador mais forte que um soldador pode apresentar, e quase ninguém apresenta.
  • NRs com mês e ano, e disponibilidade para mobilização, embarque ou turno.

Depois disso venha a experiência, descrita por tipo de serviço e não por nome de empresa: “parada de manutenção em planta química, tubulação de inox, raiz em TIG e enchimento em eletrodo, inspeção por radiografia” diz mais do que a razão social de uma prestadora que o recrutador talvez não conheça.

Sem experiência registrada? Os caminhos que funcionam

  • Comece pela produção seriada. Serralheria, implemento rodoviário e autopeças contratam com pouca experiência e ensinam MIG/MAG com volume — volume é o que gera mão.
  • Entre por função vizinha. Auxiliar de caldeireiro, montador, esmerilhador e maçariqueiro estão dentro da oficina e enxergam a vaga de soldador antes de ela virar anúncio.
  • Use as paradas de manutenção. Elas contratam em volume, por prazo determinado, e são a forma mais rápida de conseguir o primeiro contrato registrado no setor industrial.
  • Invista em um processo por vez. Colecionar cursos rasos não ajuda; ser aprovado em uma posição difícil de um processo procurado muda a sua faixa.
  • Guarde tudo. Certificados, registros de qualificação, registros de continuidade e laudos de exame. Essa pasta é o seu patrimônio profissional, e reconstruí-la depois é praticamente impossível.

Onde estão as vagas de soldador

A geografia da solda no Brasil acompanha os polos industriais e portuários: o eixo naval e de óleo e gás do Rio de Janeiro, a metalmecânica da Grande São Paulo, o parque industrial de Manaus, e as capitais do Nordeste que concentram montagem, manutenção e estrutura metálica. No Hirovo, as vagas ficam organizadas por município:

Resumo

Em solda, a barreira de entrada é baixa e a barreira de qualidade é alta — e é na segunda que o salário se decide. Escolha um processo e vá fundo nele, de preferência TIG se o seu objetivo é tubulação, inox e alumínio; entenda que qualificação não é curso, é ensaio sob uma EPS, com variáveis essenciais e regra de continuidade; trate as NRs como parte do ofício e exija do empregador o que a NR-06 e a NR-01 já colocam como obrigação dele; leia o contrato antes do número, porque CLT, empreiteira e PJ pagam coisas diferentes com o mesmo valor aparente; e escreva o currículo com processo, posição, material, espessura e código. Quem faz isso deixa de disputar a vaga de todo mundo e passa a disputar a vaga que quase ninguém consegue preencher.

Perguntas frequentes

O que quer dizer “6G” num anúncio de soldador?

É a posição de soldagem em que a empresa quer que você seja qualificado. As posições de tubo são 1G (tubo girando, na horizontal), 2G (tubo em pé, solda na horizontal), 5G (tubo fixo na horizontal, soldador contorna a junta) e 6G (tubo fixo inclinado a 45 graus). A 6G é a mais difícil porque obriga o soldador a passar por plana, vertical e sobrecabeça na mesma junta — e por isso, nos códigos, quem é aprovado em 6G fica qualificado para as demais posições daquele processo. Quando o anúncio pede 6G, ele está dizendo duas coisas: o serviço é em tubulação e o teste vai ser exigente.

Qual a diferença entre curso de soldador e qualificação de soldador?

Curso é formação: você aprende o processo, em uma escola técnica, no SENAI ou num centro de treinamento. Qualificação é um ensaio formal: você solda um corpo de prova seguindo uma EPS (Especificação de Procedimento de Soldagem) específica e o resultado é avaliado por ensaios, normalmente visual mais radiografia ou dobramento, conforme o código adotado — ASME Seção IX, AWS ou ABNT NBR ISO 9606. Aprovado, sai um registro de qualificação com seu nome e as variáveis daquele ensaio. O certificado de curso abre a porta da entrevista; o registro de qualificação é o que libera você para soldar em obra codificada.

Minha qualificação vale em qualquer empresa?

Não automaticamente, e essa é a confusão mais cara da profissão. A qualificação é sempre amarrada a uma EPS e a um conjunto de variáveis essenciais: processo, posição, material, faixa de espessura, metal de adição, com ou sem cobre-junta. Ela também pertence ao fabricante ou contratante que conduziu o ensaio. Ao mudar de empresa, é comum ter de refazer o teste sob a EPS nova — mesmo com registro válido no bolso. Guarde todos os seus registros mesmo assim: eles provam faixa, posição e histórico, e encurtam muito a triagem.

Posso perder a qualificação se ficar um tempo sem soldar?

Sim — é a chamada regra de continuidade. Na ASME Seção IX, a qualificação do soldador em um processo caduca se ele passar mais de seis meses sem utilizar aquele processo, e a empresa precisa manter registro periódico de que você continua soldando. Outros códigos têm regra parecida com prazos próprios. Na prática isso significa duas coisas: peça à empresa o registro de continuidade enquanto estiver empregado, e, se ficar muito tempo parado ou só soldando MIG quando sua qualificação é TIG, conte com um novo ensaio na próxima contratação.

Quem paga os EPIs, os treinamentos de NR e os exames?

O empregador. A NR-06 coloca o fornecimento gratuito de EPI adequado ao risco como obrigação da empresa, incluindo máscara de solda com grau de proteção adequado, luvas, mangote, avental, perneira, calçado de segurança e proteção respiratória quando o risco exigir. Treinamento em saúde e segurança também é obrigação e custo do empregador pela NR-01, e o exame admissional e os periódicos fazem parte do PCMSO, previsto na NR-07. Muita gente paga o próprio curso para chegar à entrevista com o papel na mão — isso é decisão de mercado, legítima. O que não pode é a empresa descontar de você o que ela é obrigada a dar.

Soldar inox com TIG faz mal à saúde?

Todo fumo de solda é um risco ocupacional, e o do inox merece atenção especial: soldar aço inoxidável pode gerar compostos de cromo hexavalente, além de níquel, e soldar alumínio com TIG gera ozônio pela radiação ultravioleta do arco. Some a isso a própria radiação UV, que causa a ceratite conhecida como olho de solda, e o manganês presente em muitos consumíveis. Nada disso significa que a profissão seja inviável: significa que ventilação local exaustora, proteção respiratória adequada, máscara com grau de proteção correto e exames periódicos não são detalhes burocráticos. Empresa que trata isso como excesso de zelo é a mesma que vai economizar em outros lugares.

Quanto ganha um soldador no Brasil?

Não existe um número nacional único, e desconfie de quem publica um. O piso da sua função vem da convenção coletiva do sindicato da categoria da sua base territorial — quase sempre metalúrgicos ou construção pesada — e ele nunca pode ser inferior ao salário mínimo nacional vigente em 2026. Sobre esse piso entram os adicionais previstos em lei: periculosidade de 30% sobre o salário base quando caracterizada, insalubridade em grau mínimo, médio ou máximo conforme a NR-15 e o laudo, adicional noturno, horas extras e, em obra, verbas de mobilização e campo negociadas em acordo. Para saber o seu número, procure a convenção coletiva vigente da sua base e some os adicionais que se aplicam ao seu posto — é assim que se compara duas propostas de verdade.


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